Dieta para reduzir o desconforto digestivo | gastrite, dispepsia

Desconforto gástrico. Gastrite. Dispepsia. Dieta para gastrite

Neste artigo vamos explorar as diferenças entre gastrite e dispepsia, duas patologias que ocorrem juntas com frequência e compartilham sintomas, pelo que às vezes se atrasa o seu diagnóstico. Darei as pautas da dieta para gastrite, que como é de fácil digestão ajudará a melhorar todos os sintomas associados à gastrite, digestão lenta, dor e/ou gases ou dispepsia.

 

O que é a gastrite?

A gastrite é uma inflamação da mucosa do estômago. A mucosa protege da acidez dos sucos gástricos. A gastrite costuma provocar consequências após comer. Pode ocorrer por várias causas, o abuso de anti-inflamatórios ou álcool, tabaquismo, infeção pela Helicobacter pylori, alimentação desequilibrada.

Uma úlcera gástrica é uma doença na qual intervêm a secreção ácida do estômago, o stress e/ou a bactéria Helicobacter pylori que não deixa cicatrizar a lesão. A úlcera localiza-se preferencialmente na zona antral ou na curvatura maior do estômago (úlcera gástrica ou péptica).

Ou no duodeno e denomina-se úlcera gastroduodenal. Em ambas, o sintoma principal costuma ser a dor com o estômago vazio, embora a úlcera gástrica costuma gerar mais consequências ao comer. Impede que saia a comida por isso se produz distensão abdominal, náuseas ou vómitos após comer.

A úlcera esofágica (esofagite) cursa com dor ao engolir ou deitar-se.

 

Diferenças entre gastrite e dispepsia

A dispepsia cursa com dor ou desconforto no abdómen superior, queimação depois de comer, embora em ocasiões a sintomatologia começa pela manhã e o indivíduo encontra-se todo o dia “inchado”. Estima-se que afeta 30% da população.

Embora estes sintomas podem associar-se a outras patologias como gastrite ou úlcera péptica, a maioria de pacientes têm um diagnóstico de dispepsia funcional de carácter crónico.

Tanto a gastrite como a dispepsia compartilham sintomas como mal-estar, dor de estômago, náuseas, vómitos, flatulência, ardor…

Dieta para Gastrite crónica ou Dispepsia

A dieta para gastrite ou dispepsia (de fácil digestão) recomenda-se a pacientes com dor e complicações crónicas de estômago, que pioram após comer. A incidência de gastrite crónica e úlceras está a aumentar na nossa sociedade, alguns autores associam ao grau de stress crónico a que estamos submetidos.

A dieta para gases ou meteorismo (FODMAP) é muito útil em caso de dor e inchaço abdominal, que às vezes se pode chegar a confundir com uma apendicite ou um enfarte. Em certas ocasiões a sintomatologia começa depois do pequeno-almoço e o indivíduo encontra-se todo o dia “inchado”.

  • Come com tranquilidade, sentado/a e num ambiente favorável. Tens de ser consciente do processo de mastigar. Evita comer de pé e pela rua.
  • Não consumas grandes porções dos alimentos mais problemáticos como os ricos em amido (massa, arroz, batatas, pão e leguminosas), algumas verduras cruas ou pouco cozinhadas, como a couve-flor, os couves e a alface.
  • Põe as leguminosas de molho toda a noite e cozinha em água fria. Alguns pacientes toleram melhor as lentilhas cozidas em conserva (têm menos fodmaps)
  • As saladas com folhas amargas (endívias, agriões, canónicos, etc.) melhoram a digestão e estimulam a função hepato-biliar.
  • Consome com mais frequência kiwi e ananás porque contribuem enzimas digestivas que melhoram o rendimento da digestão.
  • Podes tomar uma infusão digestiva ou relaxante entre refeições, não bebas demasiado durante a refeição para não diluir os sucos gástricos e dificultar a digestão.
  • Evita más combinações de alimentos: féculas (pão, massa, arroz, leguminosas) com frutas ácidas, tomate, ananás, iogurte, açúcar ou vinagre.
  • Aumenta o consumo de fibra, que por fermentação bacteriana no colón gera ácido butírico que acidifica o intestino e favorece a função da microbiota (flora intestinal).
  • A maçã e o feijão vermelho reativam as bactérias beneficiosas do intestino (microbiota), pelo que têm atividade prebiótica.
  • Ajuda a tua microbiota com um suplemento de probióticos e prebióticos, pelo menos três vezes por ano.
  • Bebe um copo de água morna com 2-3 gotitas de limão antes do pequeno almoço. O limão dissolvido não gera acidez, ao invés, neutraliza o ph do organismo e ativa o sistema gastrointestinal. Além disso, é muito agradável de tomar.
  • A coca-cola, o café, o mate e o chá são acalóricos, mas são potentes estimuladores da insulina e dos processo inflamatórios e do armazenamento de gordura corporal, pelo que reduz o seu consumo.
  • Pratica exercício moderado pelo menos um pouco mais do habitual. 40 minutos de caminhada por dia.
  • Tenta reduzir o nível de stress pois provoca a mesma resposta fisiológica que a cafeína. É recomendável praticar técnicas de relaxação ou yoga.

 

Dieta para Gases ou Meteorismo

As pessoas com tendência a gases costumam ter problemas recorrentes que se agravam em épocas de maior tensão emocional ou quando descuram a dieta. Em muitas ocasiões as vísceras encontram-se contraídas e há uma prevalência de microbiota de putrefação.

É preciso saber a diferença entre o desconforto causado por gases das dores por cólicas, de grande intensidade e com intervalos. Se o desconforto se acompanha de diarreias frequentes é conveniente ir ao médico, para descartar uma síndrome de intestino irritável (SII), também conhecido como cólon irritável.

O mesmo alimento pode causar mal estar de repente pelo tipo de preparação culinária, se comeu rápido,  bebeu muito líquido durante a refeição, está com roupa mais justa, está numa época de muito stress…

O primeiro passo consiste em eliminar o leite duas semanas e comprovar se diminuem os desconfortos (assim descartamos a hipolactasia ou a intolerância à lactose).

Evita os alimentos mais problemáticos como os açúcares singelos (frutose, lactose, sacarose) os ricos em amido (massa, arroz, pão e legumes) e algumas verduras cruas ou pouco cozinhadas, como a couve-flor, as couves e a alface.

É importante observar os alimentos que provocam os gases e ir preenchendo um diário alimentar, para tirar conclusões a médio prazo.

Começa a desabotoar o cinto ou o botão das calças enquanto comes. Quando sentires desconforto/dor,  agacha-te e/ou faz uma ligeira massagem na barriga e se estiveres em casa podes colocar uma botija de água quente ou um pano aquecido com o ferro.

Leva sempre contigo um suplemento de enzimas digestivas de ananás e mamão, para facilitar a digestão.

O gengibre é um bom tratamento para combater as más digestões que se acompanham de náuseas e vómitos. Também ajuda a eliminar os gases e a mitigar as tonturas. Além disso, reduz os níveis de triglicéridos e colesterol. A planta de gengibre também se utiliza em afeções respiratórias e atua como laxante. Para preparar uma infusão de gengibre, corta uma parte de rizoma e pulveriza-lo. Acrescenta uma colher de sopa por cada chávena de água e deixa ferver 3-5 minutos.

Bebe durante 15 dias este caldo depurativo. Ajudará a ativar fígado e vesícula É uma parte fundamental da tua dieta para gastrite.

 

Dieta FODMAP

Nos casos em que a dieta para gastrite crónica ou dispepsia não obtém uma melhoria substancial podem-se incluir recomendações da dieta FODMAP, que embora originalmente esteja desenhada para pessoas com cólon irritável ou síndrome do intestino irritável, costuma melhorar a sintomatologia, pois propõe a exclusão de alimentos facilmente fermentáveis.

Se quiseres podemos te ajudar com uma dieta para gastrite, dispepsia ou gases, adaptada aos teus gostos e sintomas. O mais difícil da dieta FODMAP é desenhar os menus, e nisso somos experientes!

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